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Material de Apoio

Elementos do Texto

Títulos

Na Internet, por ela ser global, é muito importante que todo texto esteja contextualizado, tanto com o seu lugar de origem como com a data em que foi escrito. Preceda os títulos das matérias do seu país ou cidade de origem (esta regra muda, conforme o manual de estilo de cada veículo. Sugerimos que se coloque, sim, o país de origem, visto que grande parte dos sites utiliza material do exterior e que é necessário localizar o leitor). Os títulos devem ser tão mais sucintos quanto possível, não devendo ultrapassar uma linha de composição, considerando-se que não se pode sacrificar a síntaxe portuguesa em função do tamanho do título. Portanto, não se pode prescindir dos artigos, preposições ou conjunções nele presentes.

Além disso, um bom título sempre contém um verbo que indique a ação descrita na matéria, normalmente conjugado no presente, o que lhe confere maior dramaticidade, atualidade e, conseqüentemente, desperta maior interesse. Lembre-se: o título é o que “vende” a matéria para o leitor, é o que o convence a iniciar a leitura da matéria.

As necessidades de um título para web são muito diferentes das de um título impresso, porque são usadas de modo diferente. Dois motivos explicam essa diferença: os títulos online são utilizados, freqüentemente, fora do contexto, como parte de uma lista de artigos, ou em um email, ou ainda em uma ferramenta de busca. O título está, portanto, longe do texto. No texto impresso, dificilmente o título não estará imediatamente acima do conteúdo relacionado.

Ainda que o título seja mostrado juntamente com o conteúdo a que se relaciona, as dificuldades de leitura na tela do computador e a pequena quantidade de informação que pode ser captada à primeira vista resultam na incompreensão dos dados que circundam o texto e que, muitas vezes, ultrapassam o tamanho de uma tela. Contrapondo, para melhor compreensão: na mídia impressa, o título está associado a fotografias, subtítulos, e a toda a matéria. Esse conjunto pode ser interpretado à primeira vista. Por estas razões, o título online deve manter-se por si próprio e fazer sentido ainda que não esteja acompanhado do resto do conteúdo a que diz respeito.

Dica: A primeira palavra do título deve ser importante e informativa. O título pode começar, por exemplo, com o nome de uma pessoa, de uma empresa ou um conceito que está sendo discutido no artigo que o segue. Não abuse deste expediente, contudo.

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Olho ou Teaser

Abaixo do título, o olho ou teaser deve explicar para o leitor o que ele vai encontrar no texto que lerá. Na Internet, o uso deste expediente vem se tornando cada vez mais comum no destaque da notícia mais importante daquele momento, pois costuma provocar o click do internauta que, na página de abertura de um site, vê apenas o título e esta introdução. O teaser não deve ter mais do que 70 palavras; deve provocar o interesse, sem isentar o usuário de ler a matéria na íntegra e sem fazer ‘mistério’ sobre o assunto de que trata o texto (os usuários não vão esperar a página descarregar se não souberem de antemão do que se trata: afinal, eles pagam em minutos de conexão por esta curiosidade); deve ser suscinto, objetivo, e ao mesmo tempo, criativo.

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Uso de tabelas e ilustrações

As tabelas devem ter um título e uma referência no texto, tanto quanto as ilustrações, as quais devem ser desenhadas profissionalmente. As imagens, símbolos, números, etc, devem estar tão claros que não se percam quando o texto se adapte ao formato HTML.

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Fotos, Vídeo, Áudios e Imagens

Os uso de recursos como fotos, vídeo, áudios e toda sorte de imagens e gráficos é, não apenas cada vez mais comum, como também um imperativo da Internet. É fundamental, contudo, utilizá-lo com sabedoria, tendo em mente a qualidade de conexão e de equipamentos dos usuários do site com que estamos trabalhando. São muitos os sites que fazem duas versões – uma com recursos multimídia e outra sem, para atender a todos. Em qualquer hipótese, não se esqueça de colocar, ao lado da imagem em questão, a sua fonte ou seu autor, ao que chamamos de “crédito”.

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Legendas

As legendas são textos explicativos das imagens. Curtos e objetivos, eles dão sentido à imagem, contam quem são os seus personagens, relacionam a mesma com a matéria. Em outras palavras, as legendas “contextualizam” a imagem, ligando-as ao texto.

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Convenções


Unidades de Medidas

As unidades de medidas devem ser expressas em unidades convencionais, com as unidades do Système International (SI) colocadas entre parênteses. As figuras e as tabelas devem utilizar unidades de medidas convencionais, com os fatores de conversão ou equivalência dados nas legendas das tabelas ou em notas ao pé da página, sempre usadas com parcimônia, como já dissemos anteriormente (em hipertexto).

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Moeda

Quanto ao uso da moeda, sempre se usará a moeda nacional do país onde acontece a notícia e se colocará, entre parênteses, a equivalência em dólares. Recorde-se que o milliard do francês, o miliardo do italiano e o billion do inglês equivalem, em castelhano, a um millardo (um millar de millones). O billón do castelhano é um millón de millones.

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Numeração

As normas de numeração são as seguintes: até dez, pode-se usar o número por extenso: um, dois, três... A partir de 11, usa-se o cardinal. Para números acima de mil, utiliza-se o cardinal e depois, por extenso, o mil: 150 mil pessoas, R$ 300 milhões, R$ 1,450 bilhão, R$ 145,676 milhões, etc.

Dias: utilizar somente algarismos.

Horário: usar a fórmula tradicional (9 horas/21 horas). Nas notícias internacionais – o que é o caso da Internet - é freqüente o registro da hora em que ocorreu o fato. É interessante acrescentar o horário brasileiro, quando houver diferença de fuso.

Ano: Escreva o ano sempre com todos os algarismos. Não utilize a forma abreviada tipo “aconteceu em 72”, mas em 1972.

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Percentuais

Para percentuais, utiliza-se o símbolo: 15%, 50%, mas é interessante que se utilize, por extenso, em alguns casos, ‘a metade das pessoas’, ou ‘um quarto dos entrevistados’, etc, pois isso dá uma noção de proporção mais direta ao leitor. É importante evitar que este precise fazer cálculos mentais.

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Abreviaturas

O uso das abreviaturas não é recomendável, exceto no caso das unidades de medida. Quando se emprega uma abreviatura pela primeira vez, deve-se precede-la pela frase completa que se está abreviando e a abreviatura aparecerá entre parênteses, na continuação.

Siglas – somente as conhecidas

Devemos usar apenas as siglas que identifiquem empresas, entidades ou órgãos conhecidos internacionalmente, como ONU, por exemplo. As que não o forem, devem ser escritas por extenso, na primeira vez em que citadas e, entre parênteses pode-se colocar a sigla, usada então sem problema, na seqüência do texto.

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Medicamentos

Devem usar-se como norma os nomes genéricos dos medicamentos e, nos casos em que marca específica tenha sido utilizada em investigações, deve-se incluir o nome da marca entre parênteses, na seqüência do nome genérico.

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Estilos e Gêneros

Em primeiro lugar, vamos definir algo, em português, que difere da nomenclatura em espanhol e inglês e tem causado diversos mal entendidos:

Notícia: matéria curta, focada em um fato específico, ocorrido no mesmo dia ou muito próximo no tempo. Conta com duas ou três fontes.

Reportagem: matéria investigativa que conta com cerca de cinco fontes e pretende tratar de um tema profundamente.

Artigo: texto opinativo, assinado por fonte credenciada. Artigos são escritos por especialistas que, por seu conhecimento sobre determinado assunto, poderiam ser considerados fontes. Um artigo exprime uma opinião.

Editorial: Os editoriais são artigos estritamente de opinião e respondem ao estilo próprio do autor, mas representam a opinião editorial da companhia.

É comum que, em espanhol e inglês, se utilize o termo “articulo” ou “article” para o que entendemos por reportagem, dando margem a que o jornalista brasileiro pense que deve escrever algo opinativo.

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Porque a reportagem é diferente da notícia

As reportagens têm um caráter informativo, mas se diferenciam absolutamente das notícias e, portanto, não devem ser tratadas como tal. Elas usam mais fontes, tem maior durabilidade, são mais analíticas e menos factuais. São, costumeiramente, mais longas e menos perecíveis, usam mais recursos, tais como olhos, teasers, linhas de apoio, fotos, vídeos, áudios. Uma reportagem deve apresentar os vários pontos de vista sobre um mesmo fato e não apenas narrar o fato.

Do ponto de vista da técnica em escrevê-las, devem ter títulos chamativos, jornalísticos, no lugar do tom seco dos títulos noticiosos; por sua vez, têm que dar elementos do que se vai tratar na reportagem, porque, na Internet, não funcionam os títulos críticos que não anunciam de que se falará.

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O seguimento diário tem duas vertentes:

1. As notícias duras ou quentes do setor – ou breaking news -, isto é, os acontecimentos do dia, no setor. (30 linhas ou aproximadamente 400 palavras e, ao menos, duas fontes vivas).

2. As notícias de seguimento do setor, isto é, o tipo de notícias que o jornalista busca para dar uma cobertura ampla do setor: notícias que vão revelando as diferentes arestas deste setor no país, suas relações com outros setores, suas relações regionais, as entrelinhas que tem uma notícia dura (ou seja, o que está atrás de qualquer fato, quais são as implicações a longo prazo, repercussões sociais, etc). Obviamente, as notícias de seguimento não apontam a um fato que acaba de ocorrer, sem revelar um ângulo do setor, o aprofundamento em um tema, etc. Uma entrevista com uma personalidade importante pode ser uma notícia de seguimento de uma noticia dura já dada. É IMPORTANTE ENTENDER ESTA DIFERENÇA.

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Entrevistas

As entrevistas podem utilizar qualquer dos dois estilos: perguntas e respostas ou entrevista desenvolvida, ou, como se usa chamar, elaborada. No segundo caso, deve ficar sempre claro quando uma frase é textual e quando o jornalista está parafraseando o entrevistado. (Isto se consegue, obviamente, com o bom uso das aspas).

Opte por entrevistas do tipo ping-pong (pergunta-resposta), quando o entrevistado for tão importante que deve ficar claro ao leitor que ele, textualmente, disse aquilo que está sendo transcrito. Estas entrevistas exigem menos trabalho de redação e dão mais crédito ao entrevistado (e, proporcionalmente, menos ao entrevistador). Opte por entrevistas que usem aspas quando quiser dar ênfase a trechos da(s) entrevista(s) feitas, colocando-as em contexto com frases suas, embasadas em outros fatos não necessariamente ditos pelo entrevistado, mas fruto de um bom trabalho de reportagem.

Tenha em mente que a finalidade de uma entrevista é dar a conhecer as opiniões do entrevistado, não as do entrevistador, portanto deve-se deixar o entrevistado falar, e quando se resumirem respostas extensas é preciso ter especial cuidado de não mutilar uma idéia. Pergunta-se breve e diretamente, e se tratará sempre de “senhor” ao interlocutor, tanto pessoalmente quanto por escrito – mesmo com a informalidade típica da Internet.

Deve-se, naturalmente, prestar atenção aos costumes locais: no Brasil, é comum que o entrevistado prefira ser tratado mais informalmente, mas este tipo de tratamento só deverá ser assumido pessoalmente e sob autorização do entrevistado. É preferível errar por excesso de formalidade do que por falta de respeito e esta é uma daquelas atitudes que diferenciam, na rede, o profissional do amador.

Em uma entrevista mediante o envio de um questionário prévio, ou por escrito, deve-se mencionar tal artifício no texto final. Instamos os jornalistas a utilizarem estes métodos, pois a existência da Internet e do correio eletrônico nos permitem enriquecer muito nosso mapa de fontes, sem custo algum, e as reportagens podem alimentar-se da consulta com especialistas, em várias partes do mundo, e não somente no país ou cidade do correspondente. É interessante para o leitor, no entanto, saber de que forma a entrevista foi conseguida. Esse dado dá credibilidade à entrevista.

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Relacionamento com as fontes

O uso de fontes ou bibliografia deve ser escrupuloso. É um clichê do jornalismo dizer que um jornalista é tão bom quanto suas fontes. No entanto, esta verdade cobra caráter sacro, por nossa alta responsabilidade social ao abordar temas muitas vezes delicados. Somos moral e profissionalmente responsáveis pela exatidão e cientificidade de tudo o que apareça em nosso noticiário.

Em uma notícia, as informações só podem ser obtidas pela presença do jornalista no lugar dos fatos – com as conseqüentes entrevistas com os protagonistas do fato noticioso - ou pela narração de testemunhos oculares do acontecimento. Qualquer que seja o caso, o leitor tem direito de sabê-lo. É importante que não se fale de fontes, em plural, quando se consultou ou entrevistou uma só pessoa, e que não se generalize a opinião das fontes, porque é muito provável que as diferentes pessoas entrevistadas tenham tido impressões ou percepções de diferentes matizes.

Cabe dizer que a atribuição de uma notícia a uma fonte, não exime o jornalista da responsabilidade de tê-la escrito.

Lembre-se que, em entrevistas pela Internet, usando chat, programas de mensagens instantâneas ou mesmo email, é de suma importância, para a credibilidade do jornalista, a forma como ele se porta diante do entrevistado. Conseguir um bom “rapport” é fundamental também quando se usa recursos da Internet para entrevistar e isso consegue-se usando bom senso, tão somente. Dosar formalidade e simpatia; respeito e profissionalismo; firmar posições sem ser ofensivo; perguntar, em vez de afirmar; ouvir/ler, mais do que falar/escrever; conseguir provocar declarações em vez de arranca-las; é uma arte, e, quem a exerce com maestria, forma uma cadeia de fontes que o alimentará de informações por toda a vida.

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Anonimato de fontes

Se uma fonte que pediu o anonimato não está indicando fatos, mas opiniões, deve-se evitar seu uso na reportagem ou notícia, porque as opiniões não são de nenhum interesse, a menos que se conheça quem as emite. Desta forma, o jornalista deve abster-se de fórmulas como: ‘segundo observadores’ ou ‘especialistas no tema’ se estes não vão apontar dados concretos e só pretendem emitir uma opinião.

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Propriedade intelectual e Direitos Autorais

Os direitos de propriedade intelectual têm que ser sempre respeitados, por problemas não só legais, mas fundamentalmente éticos. Os despachos das agências de notícia consultados, para usar um exemplo bastante recorrente nas redações, deverão aparecer sempre atribuídos à sua origem, salvo se a notícia enviada pela agência tenha sido confirmada ou enriquecida com meios próprios do redator: nesse caso é imprescindível dar crédito à agência de notícia, pela informação que se tomou dela.

Também as informações tiradas de outros veículos de comunicação, mesmo que concorrentes, devem ser corretamente atribuídas à sua origem. Isso não apenas é correto, do ponto de vista legal e ético, como é também uma proteção a quem faz uso de uma informação sobre a qual não teve controle do modo como foi obtida. Se você tira uma informação da Revista Veja ou Exame, atribua a elas o dado colhido. Se a informação estiver errada, você também não a assumiu como sua. De qualquer modo, procure SEMPRE checar as informações que usa.

 

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